Assembleias Virtuais e Inteligência Artificial

O Futuro da Gestão Condominial Já Chegou

Por Henrique Gallan Vila

9/25/20262 min read

Assembleias virtuais: respaldo legal e desafios práticos

A Lei nº 14.309/2022, que inseriu o artigo 1.354-A no Código Civil, consolidou a assembleia virtual como ferramenta legítima da gestão condominial. Passados alguns anos, o formato deixou de ser solução emergencial e passou a integrar definitivamente a rotina dos condomínios. Entre as vantagens estão o aumento do quórum, a maior organização das reuniões e o registro formal das decisões por meio de gravação e controle de votação.

No entanto, o síndico precisa estar atento a riscos formais. A assembleia virtual pode ser questionada se não garantir a identificação correta dos participantes, o direito de manifestação e o registro adequado dos votos. A convocação deve ser clara e detalhada, informando as instruções de acesso e a forma de coleta de votos. A gravação da reunião também deve ser comunicada previamente e tratada conforme a Lei Geral de Proteção de Dados.

Inteligência Artificial na gestão condominial

O ano de 2026 marca a consolidação da Inteligência Artificial como ferramenta estrutural na gestão condominial. Segundo o Raio-X do Mercado Condominial 2025/26, 45% das administradoras já usam IA em nível moderado a intensivo. Plataformas modernas utilizam IA para projetar orçamento, identificar padrões de inadimplência e sugerir estratégias de cobrança antes que a dívida se acumule.

Em agosto de 2026, o Grupo Superlógica apresentou um ecossistema com IA nativa voltado à automação de processos condominiais, incluindo conferência de documentos, análise de contratos e geração de relatórios. A proposta é adaptar as ferramentas às particularidades de cada operação, reduzindo tarefas burocráticas e otimizando o tempo do síndico.

Veículos elétricos: uma nova responsabilidade para o síndico

Outro tema que ganhou força nos últimos meses é a infraestrutura para veículos elétricos. A Lei nº 18.403/2026, do estado de São Paulo, assegura ao condômino o direito de instalar carregadores em vagas privativas, proibindo o veto arbitrário pelos condomínios. No entanto, o síndico passa a ter um papel estratégico: deve barrar projetos sem ART/RRT ou que excedam a capacidade da rede elétrica, agindo como guardião da segurança coletiva.

Além disso, a norma DT 41 do Corpo de Bombeiros, publicada em março de 2026, exige em garagens fechadas o uso de box com carregador fixado na parede, sem tomada comum. O síndico que ignorar essas exigências pode comprometer a renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros e expor o condomínio a graves responsabilidades.

O que esperar do futuro

A gestão condominial caminha para um modelo cada vez mais profissional, tecnológico e regulado. O síndico que se antecipar às mudanças — seja na adoção de ferramentas de IA, na adequação das assembleias virtuais ou na preparação para a infraestrutura de veículos elétricos — estará à frente das demandas que já batem à porta dos condomínios brasileiros.